A vida toda corremos atrás de alguma coisa. Eu sempre corri atrás de algo, que eu jamais soube explicar. Nós lemos, e refletimos. E ouvimos nossos pais, ou quem quer que nos tenha criado. E fazemos nossas as verdades deles. Nós assistimos TV e ouvimos nosso professores, e a maioria de nós toma por verdade tudo isso. Os grupos se formam, e você só sente melhor se pertencer a algum desses grupos. Todas as verdades, que regem a sociedade e por conseguinte, o ser humano, são lançadas sobre você. Tanto é que agora, você, sentado aí, é um produto do pensamento e da conduta de centenas de outras pessoas, de idéias exteriores e aprendizados que você não pediu para serem gravados em você.
Tenho pensado e as vezes escrito sobre isso a anos, pois é através desse dilema humano que nós entramos em crises existenciais. E se entramos nessas crises, ou seja, se algo dentro de nós contraria algumas (ou as vezes todas ) dessas verdades, é porque originalmente nós viemos com alguma carga; nossa alma chegou a esse mundo (pressupondo que você acredite em alma) com algo inerente apenas a ela, tornando-a única. E sua essência, sendo confrontada com essa tonelada de informação externa, acaba se confundindo e causando muitos problemas. Você as vezes acaba perdendo a sua identidade, as vezes esquece como é sentir. E o ritmo cada vez mais acelerado da nossa existência, não nos permite refletir sobre as coisas mais importantes que existem na vida. E acabamos por apenas passar por ela, por não nos conhecermos, por não aproveitarmos a existência de maneira profunda e com algum significado.
O Grande Vazio
Hoje eu bem sei o que busco. Não que eu esteja próximo de alcançar, visto que o conhecimento de saber o que se quer dessa vida significaria menos de 1% do caminho. Mas só de ter consciência clara sobre isso, já é um passo na direção correta.
Durante algum tempo da minha vida eu não tinha base alguma para direcionar minha moral e os meus ideais. Não que eu fosse um amoral, fui educado em uma religião cristã, fui educado por mais conscientes (em certos aspectos), sobre o que é errado e o que não é. Mas como muita gente, faltou algo mais profundo. Meus pais não fizeram mais do que passar a religião que lhes foi passada, e me educar sobre o que é certo e errado baseado no que a sociedade diz que é, e ponto, sem questionamentos. Ou seja, daí podemos deduzir que somos apenas orientados a aceitar qualquer verdade, sem questionamentos. Não nos ensinam a questionar. Nos ensinam a aceitar.
Porém, chegou um momento em que, obviamente, comecei a me questionar. As dúvidas iam se acumulando, e minha vida não adquiria propósito para existir, algumas vezes, aquele imenso vazio de ir em uma direção, mas sem saber o significado, ia se intensificando a ponto de causar –me grande angustia. Nem Deus, nem a ciência, nem a família, aparentemente, nada fazia sentido. Eu via cada vez mais pessoas que buscavam sempre o maior lucro possível, dessa maneira criando coisas cada vez mais simplificadas, mais perecíveis, conhecimento mais superficial, relacionamentos relâmpago, baseados em virtudes que nem de longe eram virtudes de um ser humano guiado por uma ética universal. E as musicas, os programas de TV, tudo o mais foi se afunilando para obter o maior lucro possível numa quantidade mínima de tempo, e de preferência, de maneira cíclica. E as pessoas infelizes se satisfazem em lojas, comprando. Acostumamo-nos a disfarçar o grande vazio comprando coisas. A felicidade causada pelo materialismo é curta e repetitiva, um modelo perfeito de objetivo para uma sociedade alicerçada no capitalismo. Mas as pessoas percebem, cedo ou tarde, que essa felicidade causada pelo consumismo não elimina as suas dúvidas, suas questões essenciais, sobre a existência, sobre a felicidade, sobre a paz. Elas epenas saciam uma vontade mundana, que amanha estará voltada para outro objeto qualquer.
Eu não sou um monge que vai viver frugalmente por aí. Eu gosto de ter minhas coisas e meu conforto. Mas estou cultivando um modo de pensar que me ensina a ver as coisas como elas são. Estamos tão ligados à felicidade instantânea causada por esse mundo moderno, que somos incapazes de apreciar uma bela cachoeira, um por do sol, ou mesmo a chuva. Não há tempo. O mundo gira cada vez mais rápido, e os seres humanos estão cada vez mais deixando essa parte de “humanos” de lado.
O grande vazio que eu estou conseguindo suprimir da minha existência, é algo, acredito, que deva antes ser alcançado e visualizado, para depois deixar de ser temido. E é sobre isso que vou falar no próximo post.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Perseverança
Eu acreditei.
Acreditei na esperança.
Acreditei no entusiasmo.
Acreditei nos Franciscos, nos animais e na empatia.
Acreditei em todos os anos de sofrimento. Acreditei em toda uma vida de luta dura,
De verdade obscura sendo enfrentada e passada pra trás.
Acreditei nas imensas pedras esmeraldas que brilhavam ao me aproximar.
Olhei pra elas de perto, e vi que ali haviam almas me observando.
Acreditei em cada palavra, cada gesto, como se fossem meus próprios.
Não é necessária muita coragem para se falar, mas deve haver muita para se acreditar em algo.
Acreditei no entusiasmo, nos pequenos detalhes, na dedicação. Acreditei em simbologias, acreditei em almas antigas, acreditei em tudo que pode se acreditar em um mundo onde as pessoas são o que mostram ser.
Acreditei nas músicas, e em todos os degraus que eu teria que percorrer, suor, sangue e cansaço, mas permeados constantemente de coragem, de olhares significativos, de palavras doces e de desejo irreprimível.
Olhei no espelho, desconfiei, enxerguei dentro da minha alma o que eu poderia me tornar, o que eu estou me tornando, e mesmo o preço sendo alto, eu me lancei.
Confrontei o abismo, larguei meus medos pra trás, e encarei uma viagem que, não sabia, jamais terá volta.
Em meio a tudo isso, descobri de onde veio e pra onde vai a minha alma. O que antes era incerteza, tornou-se um porto seguro para meus ideais. As pessoas deviam fincar suas ações em seus ideais e sincronizarem seus pensamentos com suas palavras. E sempre, sempre, pensar e agir baseados no interior da alma.
Em algumas luas e noites frias, percebi que não havia motivo para ter medo. Acreditei em todos os sinais que o Universo havia colocado lá, naquele momento, para que eu encontrasse e mudasse meu modo de ver o mundo e as pessoas.
Eu tinha vários ferimentos. Todos temos. E um a um, impressionantemente, fui curado de todos. E a ausência do medo me tornou temerário. Eu fiquei confiante, baixei minhas defesas e de peito aberto resolvi aceitar o mundo.
Uma faca de dois gumes.
Eu acordei em minha cama. Não havia luz. Apenas uma penumbra. O perfume do jardim havia se dissipado. As vontades e a confiança estavam nubladas. Os sons que antes me faziam pensar claramente deram lugar ao meu cérebro, gritando uma onda de perguntas sem nexo que ocupam minha mente até agora.
Tudo em que acreditei, perdeu-se no abismo. Ainda sobra a vontade de evitar o encontro com o chão derradeiro. Mas a sensação de que ele está se aproximando não é muito boa. É um pesadelo.
E você, caro leitor, deve estar se perguntando “Meu Deus, o que diabos aconteceu com esse cara!?”
Eu simplesmente acreditei.
As pessoas deveriam ser absolutamente sinceras umas com as outras. E balancear isso com dois fatos muito importantes:
primeiro: ser sincero consigo mesmo, sempre. E segundo, saber que tudo que você diz para alguém, cativado por você, é de muita responsabilidade e pode gerar conseqüências muito graves. Se você se dispõe (teorizando que vc seja uma pessoa adulta e bem resolvida) a fazer as pessoas acreditarem em suas intenções, você tem, oras, que bancar suas ações. Suas palavras. Agir com responsabilidade. Puxar alguém para um abismo sem ao menos checar se a pessoa quer, ouse pelo menos está de paraquedas, é algo adolescente de se fazer.
Mas hoje, com o mundo como está, as pessoas são assim. São filas e filas de pessoas que ao menor sinal de problema em um relacionamento, ou na família, ou no trabalho, simplesmente dão as costas e agem como se nada tivesse acontecido. Se é a família, você dá as costas. Se é um namorado, rolo, ficante, você não permite que ambos passem por dificuldades.
Os jovens de hoje, a cada dificuldade, simplesmente partem para outra. Trocam de namorado, saem de casa, trocam de emprego. Não estou generalizando, mas amigos, ouçam: isso não é atitude. É covardia. Seus pais, seus avós, não sentaram juntos na varanda e deram risadas aos 80 anos agindo assim. Eles foram perseverantes, souberam aceitar os defeitos e ver o mundo um dia de cada vez. Hoje não estamos bem, amanha essa dificuldade não estará mais aqui. Isso atualmente chama-se pensar de maneira empreendedora. É isso que faz empreendedores terem mais sucesso. Eles conseguem viver com incertezas hj, pensando no dia de amanhã. Esse é o verdadeiro significado de liberdade.
Enfim, estou absolutamente cansado do modo como as pessoas agem hoje em dia. Sou antiquado, sou romântico, e infelizmente, acredito no bem que há nas pessoas. Apesar de algumas vezes não conseguir cumprir minha palavra, a palavra, a honra, é a coisa mais importante que eu vejo em uma pessoa. Honrem sua condição de ser humano nessa terra, pessoas.
Eu resolvi acreditar. Eu deixei essa crença me consumir. E agora meu sangue está totalmente correndo ao contrário nas minhas veias, a tal ponto que só de ouvir meu próprio nome me dá calafrios.
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